17.12/2018 | Murillo Costa
como se livrar de relacionamento abusivo

Como se livrar de um relacionamento abusivo: um manifesto

Se livrar de um relacionamento abusivo não é um passo simples, por vários motivos. O apego emocional, pressões sociais e psicológicas impedem a mulher de enxergar que vive um relacionamento que passa dos limites. Mesmo por ter sua liberdade afetada, ser obrigada a se afastar de amigos, parentes e deixar grandes oportunidades na carreira.

Movidas por vários desses casos, 18 escritoras se uniram para criarem o livro Eu Assumo as Consequências de me Pertencer. Nele, elas contam histórias reais ou ficcionais sobre relacionamentos abusivos.

Antes de prosseguirmos, lembre-se de compartilhar esse artigo com amigas e amigos. Todos precisam saber o que é um relacionamento abusivo. E você ainda ajuda nosso conteúdo a se manter de pé. Você ainda pode conhecer meu livro, um romance distópico, clique aqui.

O relacionamento abusivo contra a mulher é a ponta final de um iceberg de conceitos errados e antigos que a veem como objetos. Em outras palavras, os homens não se casavam, adquiriam bens.

O que é relacionamento abusivo

Para se livrar de um relacionamento abusivo é preciso, primeiro, saber o que é um. Em poucas palavras e, acima de tudo, relações abusivas são caracterizadas pela privação de liberdade. Essa atitude é movida essencialmente por um ciúme fora de lógica.

Isso é manifestado pela necessidade de controlar a vida da companheira. Na prática, o parceiro exige atenção exagerada a ponto de chegar à obediência. A mulher perde a liberdade e parte de quem ela é para agradar seu companheiro.

Os sinais de abuso no relacionamento podem começar como sutis espiadas em conversas do Whatsapp ou outras redes sociais. Também, solicitações de senhas de Facebook e Instagram. Isso geralmente evolui para saber aonde a parceira vai por segui-la, ou pedir que alguém faça isso.

Acessos de fúria e compulsão por ter a mulher sempre perto são sinais fortíssimos de que existe um relacionamento abusivo. O próximo passo seria a violência física e/ ou sexual. Enquanto isso, a violência psicológica sempre esteve presente.

Segundo a Lei Maria da Penha, a violência doméstica se caracteriza por qualquer ação – e omissão – de atos que causem machucados, sofrimento de qualquer natureza e danos morais e patrimoniais. Não importa se são constantes ou acontecem vez por outra.

De onde vem o instinto abusivo em uma relação

Para o psicólogo Daniel Machado, o parceiro excessivamente ciumento tem pouca autoestima e muita insegurança. Por isso, ele tem essa necessidade de controle para mostrar aos outros que é capaz de ter alguém ao seu lado.

Esse comportamento pode ter origem na infância, quando os pais não o deram atenção e afeto necessário. Uma pessoa assim cresceu sem entender, de fato, como lidar com verdadeiros sentimentos de amor e afeição.

No entanto, isso não quer dizer que a mulher que sofre uma relação abusiva tem qualquer culpa. Quer dizer que quem pratica o abuso deve procurar ajuda psicológica urgentemente.

Como se proteger de um relacionamento abusivo usando a lei

Por mais que nossa confiança na lei seja abalada, ela é nossa melhor forma de nos proteger contra injustiças e abusos. É uma das principais fontes de poder de uma mulher para se livrar de um relacionamento abusivo.

A Lei Maria da Penha foi criada em agosto de 2006. Ao contrário do que muitas pensam, ela não serve apenas para mulheres casadas. Ela protege “qualquer relação íntima de afeto, na qual o agressor conviva ou tenha convivido com a ofendida, independentemente de coabitação.”

Assim, as aplicações da lei servem para casamento, união estável, namoro, relações pessoais e até agressão de familiares que não compartilham sentimentos amorosos. Além disso, a aplicação da lei independe de orientação sexual.

Como usar a lei para se defender de relações abusivas? Ela diz que ” cabe à família, à sociedade e ao poder público criar as condições necessárias para o efetivo exercício dos direitos”. Não queremos incluir nesse artigo a lentidão do poder público em tomar ação.

Segundo a lei, a família e a sociedade são obrigadas a impedir que os direitos da mulher sejam violados por um relacionamento abusivo. Portanto, quando a família encoberta um caso de violência psicológica, moral e sexual, ela a faz parte dessa relação abusiva como agressora.

Se você percebeu que vive uma relação abusiva, procure ajuda de amigos e parentes. Eles são obrigados perante a constituição a prestarem ajuda e manterem a confidencialidade. Pode ser muito difícil, em alguns casos até impossível, sair de um relacionamento violento sem ajuda.

Por outro lado, se você sabe de algum caso de abuso, você é obrigado ajudar de alguma forma. Seja denunciando, seja orientando. Omissão também é crime.

As penalidades da lei para agressores

A Lei Maria da Penha prevê de três meses a três anos de reclusão para agressores condenados. Além disso, ela contribuiu para o aumento de unidades da delegacia da mulher e traz medidas para protegerem as vítimas antes mesmo que o julgamento aconteça.

Existem medidas urgentes, que autorizam o uso da polícia para protegerem as mulheres e suas famílias. Também existem as medidas protetivas, que obrigam o agressor a adotar um comportamento inofensivo.

Os porquês de algumas aturarem um relacionamento abusivo

Para muitas mulheres, viver uma situação violenta e psicologicamente agressiva é algo que deve ser encarado como “suportável”. Mesmo que já tenham percebido que o relacionamento não é saudável, o medo toma conta da mente.

Um primeiro medo é o de não atender ao “requisito” social de ter um parceiro. A pressão social para ser casar e ter uma família é um dos importantes fatores de muitas aturarem os abusos. O receio de ser encarada como alguém não interessante ou incapaz de sustentar uma relação faz surgir insegurança.

Nesse respeito, as pessoas que pressionam alguém para ter um relacionamento não estarão por perto quando os primeiros problemas acontecerem. E aqui fica uma palavra de cautela: se você causa esse tipo de pressão, você contribui para relacionamentos abusivos.

Esse medo pode ser vencido pelo autoconhecimento e a aposta em quem a mulher realmente é e de tudo o que pode conquistar. É o fato de dizer “Eu Assumo as Consequências de me Pertencer“.

Um segundo medo é o risco à sua vida e à vida dos filhos. Nesse momento, o aparo familiar é fundamental. E, mesmo com todos os problemas que sabemos existirem, a procura pela justiça também é de extrema importância.

Como se livrar de um relacionamento abusivo com a ajuda de exemplos

eu assumo as consequências de me pertencer

Vemos nos exemplos situações com as quais nos identificamos. Pensando nas centenas de relacionamentos abusivos acontecendo, a editora Meraki Publisher produziu o livro Eu Assumo as Consequências de me Pertencer.

O livro é colaborativo. Das muitas mulheres inscritas para dar voz ao projeto, foram escolhidas 18 para contarem histórias, ficcionais ou não, sobre relações abusivas. Para o devido devido crédito, vou alistá-las aqui:

  • Hemilly Reis;
  • Jeicy Hellen;
  • NINNa Tomaz;
  • Stephanie Cribb;
  • Fabiane Linhares;
  • Janaína Lourenço;
  • Carla Cristina Pepe;
  • Hirlary Nakagaiche;
  • Ana Carolina Almeida;
  • Gabrielle Araujo;
  • Gabriela Muzza;
  • Síria Bonfim;
  • Leila Perci;
  • Yasmin Calandrini;
  • Flávia Pimenta;
  • Lilian Geovani
  • BRADY DOS DREADS;
  • Sarah Libardi;

A autora Sarah Libardi, parceira do Central Autoria e já entrevistada aqui, foi quem nos indicou o livro desse semana. Não deixe de conferir as histórias dessas escritoras, seja se você vive uma relação abusiva ou conhece alguém que viva. O livro é um manifesto contra a violência à mulher e você pode comprar o e-book usando esse link.

Eu Assumo as Consequências de me Pertencer deverá chegar à venda em forma impressa em janeiro de 2019. Além disso, em acordo entre as escritoras, a renda obtida pela venda do livro será destinada a instituições que cuidam de mulheres em situação de risco.

Ele dá voz a pessoas que sofrem o que não deveriam passar. Além disso, pode dar a força necessária para se livrarem de relacionamentos abusivos por meio de histórias tocantes. Pode ser uma boa forma de você saber ajudar quem passa por esse tipo de sofrimento, ou se ajudar a enxergar todo o poder que tem.

Sou o autor de Os Renegados, distopia pós-apocalíptica, editor do Central Autoria e host do Autoria Podcast. Também sou parceiro da saga de fantasia épica A Crônica Esférica. Estudante contínuo de empreendedorismo e marketing digital, procuro compartilhar conhecimento através do meu trabalho.
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