03.12/2018 | Murillo Costa
livro Os Quase Completos - Felippe Alves Ferreira Barbosa

Os Quase Completos: insatisfação profissional e a vida sonhada

52% dos adultos entre os 30 anos trabalham apenas para sobreviver. Descobriram que as escolhas que fizeram nos anos de Ensino Médio e faculdade não tem nada a ver com eles. O livro Os Quase Completos aborda esse assunto ao retratar a vida de um cardiologista bem-sucedido, mas infeliz com seu trabalho. Seu verdadeiro dom é a arte, fortemente desestimulada por sua família.

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Família, dons e nós mesmos – como tudo isso pode nos influenciar a tomar decisões que sabotam nossos sentimentos de realização pessoal e profissional? Pense sobre isso ao ler Os Quase Completos, livro do escritor brasileiro Felippe Alves Ferreira Barbosa, publicado pela editora Arqueiro.

Insatisfação com a carreira escolhida

livro Os Quase Completos - Felippe Alves

Certamente você se lembra do Ensino Médio e de toda a pressão que professores, pais e amigos colocaram para você escolher rápido a profissão que exerceria por todo o resto da sua vida! A inexperiência somada à falta de um sistema educacional que ajude os alunos a se conhecerem os levou a seguir essa influência.

Como resultado, jovens adultos saem da faculdade e encaram o choque de um mundo profissional do qual não gostam.

Para o quase médico de Os Quase Completos, sua verdadeira vocação é a pintura. Desde pequeno ele demonstrava ter o talento necessário. Quando jovem, carregava consigo um caderno para desenhar suas ideias. Porém, para sua família, isso não o levaria a lugar nenhum e ele cedeu à formação em cardiologia.

Numa certa manhã, antes de ir trabalhar em sua própria clínica, ele deixa uma colher cair no chão de seu restaurante favorito. Para qualquer um, isso seria apenas mais um acontecimento irrelevante em um dia cheio. Mas para o médico, é uma inspiração artística forte.

Sua visão sensível lhe faz pensar nos infinitos eventos que poderiam acontecer em consequência daquele simples incidente. Enquanto uma garçonete impaciente para limpar a mesa o encara, ele lamenta não papel e tinta para expressar suas ideias. Ele lamenta já fazer tanto tempo que não exerce sua verdadeira vocação.

Entretanto, esse momento – que me fez lembrar o ato final de 2001 – Uma Odisseia no Espaço – lhe abre a mente para um encontro inusitado que acontecerá logo em seguida.

Ao seguir para sua clínica, o médico encontra um senhor no ponto de ônibus. Esse homem, chamado Barfabel, o convida para subir em um coletivo velho, sem saber para onde ir. Hesitante, o médico se junta ao idoso numa viagem sem rumo definido.

Dentro do ônibus, ele encontra mais três idosos – um rancoroso, uma inocente mulher que brinca com uma mosca e uma leitora de Alice no País das Maravilhas. Claramente inspirada na toca do coelho, a aventura do médico começa assim que o ônibus para em um lugar dito por Barfabel como a vida que o médico sempre quis ter.

Os a quem amamos nos tornam incompletos?

Não é somente de insatisfação profissional que Os Quase Completos fala. Por vezes, idealizamos uma vida quase perfeita e bem-encaminhada. Pensamos que teremos o trabalho dos sonhos, relacionamento de filme romântico, viagens incríveis. Mas esquecemos de colocar nessa conta o poderoso fator do inesperado.

Para Victor e Verônica – o quase repórter e a quase viúva – o inesperado aconteceu na vida de ambos. Victor teve de lidar com o suposto suicídio de sua esposa. Já Verônica, com um noivo acidentado, à beira da morte em um hospital.

Victor usa seu treinamento como repórter para investigar a morte de sua esposa. Para ele, ela jamais teria tirado a própria vida. Enquanto mergulha nessa investigação que revela a sujeira dentro da polícia, ele se vê em confronto direto com seu editor-chefe. Consequentemente, seu emprego e reputação correm risco. Seu descontentamento com o trabalho vai às nuvens.

Já Verônica teve de deixar de dar aulas para acompanhar o tratamento do noivo. Ao presenciar eventos estranhos no hospital, ela tem certeza de que alguém está tentando matar seu noivo.

Os dois procuram pela verdade e, como resultado, creem que ela está no ônibus que Barfabas fez o quase doutro entrar.

As vidas de Verônica e Victor levantam questões sobre nossos próprios relacionamentos: é possível no sentirmos completamente realizados se nos importamos genuinamente com o bem-estar de quem amamos?

Os Quase Completos foi premiado com o Pólen de Literatura

Os Quase Completos foi premiado pelo Pólen, um evento criado pela editora Arqueiro em conjunto com a Suzano Papel e Celulose.

Como resultado, o autor Felippe Barbosa foi premiado em 10 mil reais e teve 300 exemplares publicados pela Arqueiro.

A narrativa de Os Quase Completos é leve e sutil, com um humor muito bem construído. Através da vida do quase doutor, do quase repórter e da quase viúva, ele passa uma mensagem de que devemos enfrentar nossos maiores medos para nos sentir completos. Sobretudo, devemos enfrentar a nós mesmos se quisermos nos tornar realizados.


Fontes:
O Globo
Prêmio Pólen

Sou o autor de Os Renegados, distopia pós-apocalíptica, editor do Central Autoria e host do Autoria Podcast. Também sou parceiro da saga de fantasia épica A Crônica Esférica. Estudante contínuo de empreendedorismo e marketing digital, procuro compartilhar conhecimento através do meu trabalho.
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