04.07/2018 | Murillo Costa
resenha o código da febre

Resenha de O Código da Febre: precisava ser escrito?

O livro Maze Runner: O Código da Febre é o último volume da série. Lançado no Brasil pela Plataforma 21, é um spin-off da trilogia principal de James Dashner e conta o passado dos protagonistas enquanto eles ainda eram crianças e viviam sob as instalações laboratoriais do CRUEL.

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Se levarmos em conta a história de Teresa e da Dr. Paige, sim, o livro O Código da Febre foi relevante para a saga. Mas, quando ele conta o passado das crianças, já não há muito com o que nos surpreender, visto que já sabemos que todas serão enviadas para o labirinto e muitas morrerão ali.

E sim, há muitos spoilers nessa resenha, mesmo para os que já leram a trilogia principal. Não esqueça de deixar nos comentários o que você achou do livro! Quer sugerir resenhas? Deixe nos comentários também.

O Códigio da Febre é mais relevante que Ordem de Extermínio

Já fiz aqui no blog a resenha de Maze Runner: Ordem de Extermínio, na qual disse que o livro tem um começo muito bom, um meio imenso de história tediosa e um final obrigatoriamente esperado, mas que é bom em si. Além disso, seu epílogo o torna frustrante. Esses fatores o caracterizam como mal roteirizado porque vende uma proposta e entrega outra, portanto, não muito relevante para a saga.

Maze Runner: O Código da Febre é diferente pois não se trata de uma história contínua página por página, mas sim de uma reunião de trechos de histórias que dão saltos de dias, ou até meses, entre um capítulo e outro. Isso torna sua pegada mais interessante, não surpreendente, mas nos apresenta fatos relevantes.

A história começa com um Thomas criança, antes de seus oito anos, separado pelo CRUEL como mais importante do que os outros do grupo que futuramente se tornarão os Clareanos. Sua infância se passa em testes de aptidão, desafios intelectuais e sem contato algum com outra criança.

A vida de Thomas só muda quando os superiores do CRUEL decidem que chegou o momento dele conhecer a garota que habita o quarto em frente ao seu: Teresa. A amizade dos dois começa a se desenvolver de modo verdadeiro para eles, mas para o CRUEL é somente mais uma parte dos infinitos testes.

No decorrer do livro, eles conseguem “escapar” da supervisão e conseguem fazer “reuniões escondidas” com os outros garotos de seu grupo – tudo entre aspas porque o CRUEL sempre sabe de tudo e supervisiona suas cobaias constantemente.

Entre testes, reuniões que deveriam ser secretas e o fortalecimento da relação entre as crianças que se tornarão Clareanas, o tempo passa – um tanto arrastado devido a quantidade de informações não tão interessantes – até a chegada de um momento esperado desde as primeiras páginas: o início da construção dos dois labirintos.

Quando O Código da Febre nos surpreende

Já sabemos do fim da história geral, então como O Código da Febre poderia nos surpreender? Trazendo dois fatos, um de maior peso que o outro, em seu final. Em seu final mesmo, na última página.

Enquanto os primeiros Clareanos já habitam o labirinto, há uma contaminação do complexo do CRUEL onde Thomas vive. Membros importantes da liderança da corporação são infectados pelo fulgor e, numa vital decisão fria para conter a ameaça de uma contaminação geral que seria um golpe mortal no CRUEL, a Dr. Paige decide isolar os contaminados numa ala e fechá-la.

A ação da Dr. Paige não termina aí. Mesmo isolados, os contaminados ainda oferecem riscos. Ela decide que os imunes jovens Thomas, Teresa, Aris e Rachel devem formar uma linha de combate e exterminar os isolados aplicando neles uma injeção letal. A missão é feita enquanto os infectados estão num estado de latência. Os quatro jovens sentem pela primeira vez como é tirar a vida de pessoas inocentes, mas biologicamente perigosas e condenadas.

Enquanto eu lia essa parte, notei a estranheza dessa contaminação – somente líderes do CRUEL. Depois uni isso à ordem da Dr. Paige e cheguei à mesma conclusão que você deve ter chegado agora, caso ainda não tenha lido o livro O Código da Febre. Eu avisei que teria spoilers.

O segundo e muito mais chocante ponto de virada de O Código da Febre acontece em seu final, no momento em que Thomas está sendo preparado para ser levado ao labirinto. Antes, enquanto observava o sofrimento de seus amigos dentro do labirinto e ao somar os interesses e modo de trabalho do CRUEL, Thomas elabora um plano de fuga que dependia exclusivamente das memórias dele não serem pagadas durante o processo de preparação para o labirinto.

Tudo vai por água a baixo quando ele é traído e suas memórias são apagadas, levando-nos ao início do primeiro livro, Maze Runner: Correr ou Morrer.

Somente por esses dois acontecimentos eu considero Maze Runner: O Código da Febre relevante para a história em geral. Mas até chegarmos neles, temos páginas e páginas de histórias apenas informativas e sem muito peso em drama e ação.

Existiam caminhos melhores para O Código da Febre?

James Dashner se propôs a contar o passado de seus personagens, então ele assumiu o risco de se contar uma história da qual todo mundo já sabe o final. Como ainda conseguir surpreender os leitores? Com informações chocantes que tem influências diretas na história principal, capazes de mudar a opinião dos leitores mais fiéis. Ele conseguiu fazer isso.

Entretanto, o leitor é bombardeado com um meio não tão empolgante. Para mim, O Código da Febre seria muito melhor se fosse unida a ele parte da história de Ordem de Extermínio. E este último livro, descartado.

Imaginem que O Código da Febre começasse com o prólogo de Ordem de Extermínio, quando vemos Teresa despedindo-se de um Thomas apagado na Caixa, pronto para ser levado ao labirinto. Nos capítulos inciais, saberíamos como o vírus se espalhou, contando a história da pequena Didi de modo bem resumido, intercalando com a história de Thomas ainda com seus pais.

Após o resgate de Thomas e de Didi atravessar o transportal, imagine que O Código da Febre nos contasse sobre a chegada dos dois no CRUEL. Daí, o enredo poderia incluir mais jogadas políticas e quem sabe até criar uma cúpula que condene as ações do CRUEL – um contrapeso moral para as ações da corporação. Obviamente, essa cúpula deveria ser vencida pelo poderoso CRUEL.

Daí o final do livro, que é realmente surpreendente e bom.

Acredito que esse caminho seria bem mais interessante do que ler sobre a vida de crianças passando por testes e mais testes.

Minha nota para o livro Maze Runner: A Cura Mortal: 2.5 de 5.

Sou o autor de Os Renegados, distopia pós-apocalíptica, editor do Central Autoria e locutor do Autoria Podcast. Também sou parceiro da saga de fantasia épica A Crônica Esférica. Webdesigner por formação, procuro compartilhar meus conhecimentos em Marketing Digital com outros escritores para que possamos formar juntos nossas carreiras.
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