Dentro do Espelho: como é ser policial infiltrado no crime organizado

livro dentro do espelho: como é ser policial infiltrado

Um policial infiltrado em organização criminosa deve ter uma atuação perfeita. O treinamento deve ser especializado e, acima de tudo, deve-se ter um ótimo equilíbrio emocional para lidar com situações extremas, incluindo a prática de crimes exigida pelos criminosos.

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O uso de policial infiltrado é permitido pela legislação brasileira para a perseguição e investigação de organizações criminosas. A operação precisa ser autorizada pelo Ministério Público e seguir uma série de procedimentos para garantir a segurança do agente infiltrado.

Embora a lei permita, a infraestrutura brasileira para esse tipo de operação ainda é limitada. Segundo o promotor Everton Luiz Zanella, o Brasil não investe tão bem no combate ao crime organizado como países europeus. Além disso, não temos centros de formação ou treinamento adequados.

A infiltração de agentes não é definida apenas por simples páginas de constituições dos países. A própria ONU regulamenta esses processos com a Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional, estabelecendo modelos de prevenção, combate e punição.

Quem pode ser agente infiltrado em organização criminosa?

Obviamente, para ser policial infiltrado, o agente obrigatoriamente deve ser um policial, seja federal ou civil. Mas se engana se pensa que sua missão será cumprida sozinho. Delegados ou o Ministério Público podem solicitar esse tipo de operação.

Quando um delegado precisa de um policial infiltrado, ele deve acionar o Ministério Público para a autorização judicial. Porém, em caminho contrário, quando o Ministério Público determina uma operação assim, o delegado deve ser consultado para dispor seu pessoal.

O policial a ser infiltrado na organização criminosa deve ter características específicas que serão decisivas para o sucesso da missão. Rogério Sanches Cunha, promotor de justiça de São Paulo, cita que o policial deve ter inteligência aguçada para lidar com as diversas situações que surgirão na missão. Também deverá ter equilíbrio emocional ao ficar distante da família por um tempo imprevisível.

Uma parte interessante é a criação de um personagem para que a estratégia funcione. O policial infiltrado torna-se um ator e muitas vezes interpreta um criminoso pronto para fazer o que a quadrilha pedir.

O que se espera do policial infiltrado

Nesse ponto, o policial infiltrado fica à mercê de duas vozes de comando: de seu delegado e dos líderes da organização criminosa. Seu personagem deve estar pronto para atuar em crimes reais, cometendo crimes reais, ao mesmo tempo que é um policial em missão. Fácil?

Então, qual é a linha que separa o “policial” do “personagem criminoso”? Obviamente, a legislação assegura esse policial infiltrado. A Lei 12.850/13, no artigo 13, parágrafo único, diz que “não é punível, na âmbito da infiltração, a prática de crime pelo agente infiltrado no curso da investigação, quando inexigível conduta diversa.”

Isso quer dizer que um policial infiltrado não responderá pelos crimes que a organização criminosa o exigiu a realizar. Em contrapartida, os criminosos serão acusados de qualquer crime, incluindo os que o agente tenha participado.

Por exemplo, digamos que o policial José da Silva se infiltrou na Quadrilha do Mau. Certa noite, a quadrilha exigiu que José da Silva assaltasse um bar ao lado de três comparsas. Aos olhos da lei, José da Silva não conseguiria cumprir sua missão de investigação caso se recusasse a praticar o assalto. Portanto, ele não é culpado pelo assalto, mas os criminosos que o acompanharam sim.

Razoável, não é? Diferente seria se José da Silva cometesse excessos. Se ele matasse uma pessoa inocente, por exemplo, ele teria de ser julgado por isso.

Quando ser policial infiltrado se torna um thriller envolvente

Inspirada pela vida de policiais disfarçados, Tana French escreveu o livro Dentro do Espelho. Nele, ela conta a história de Cassie Maddox, policial que, no passado, criou Lexie Madison, sua personagem infiltrada.

De uma hora para a outra, essa personagem aparece morta – depois de Cassie já a ter aposentado. Só resta à policial ressuscitar sua personagem e voltar a encarnar Lexie para descobrir quem era a moça que a usava e que agora está morta.

Dentro do Espelho

dentro do espelho
  • Autora: Tana French;
  • Tradução: Márcia Arpini;
  • Editora: Rocco;
  • Gênero: suspense policial;
  • Páginas: 496;
  • Link de compra: use esse link e ajude o Central a se manter online.

Cassie mergulha no universo da vítima, estudando-a à base de vídeos e fotografias. Nesses vídeos estão também os quatro jovens que moravam com a garota. Eles formam uma estranha comunidade que vive isolada num casarão herdado por um deles, sem televisão, computadores e internet.

Com uma narrativa original e marcante, Tana French consegue dar um tom de suspense realista a Dentro do Espelho. Os conflitos entre os quatro jovens e suas personalidades em desenvolvimento assumem uma importância tão grande na trama que chega a ultrapassar os desafios que a própria Cassie encontra em sua atuação.

Livro altamente recomendado para quem gosta de romance e suspense policial. Se você gostou de O Desaparecimento de Stephanie Mailer ou Gritos no Silêncio, tenho certeza que vai gostar de Dentro do Espelho.

Sou o autor de Os Renegados, distopia pós-apocalíptica, editor do Central Autoria e locutor do Autoria Podcast. Também sou parceiro da saga de fantasia épica A Crônica Esférica. Webdesigner por formação, procuro compartilhar meus conhecimentos em Marketing Digital com outros escritores para que possamos formar juntos nossas carreiras.
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