21.01/2019 | Murillo Costa
Os Bebês de Auschwitz

Os bebês de Auschwitz: livro único sobre a monstruosidade nazista

A jovem judia Priska, uma das mães em Os bebês de Auschwitz, está nua, em campo aberto, ao lado de mais quinhentas mulheres no mesmo estado. Todas acabaram de ser jogadas em Auschwitz. “Está grávida, moça bonita?”, ela ouve a voz do oficial da SS, conhecido mais tarde como “Anjo da Morte”, Josef Mengele.

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Nos últimos meses de 1944, Priska, Rachel e Hanka foram arrancadas do que restou de seus lares e enviadas para o campo de extermínio mais eficaz do nazismo: Auschwitz. Ambas estavam grávidas, no início das gestações. Os meses à frente exigiriam tudo e muito mais dessas mães se quisessem salvar seus filhos.

Os bebês de Auschwitz

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  • Autora: Wendy Holden;
  • Tradutor: Bruno Alexander;
  • Editora: Globo Livros;
  • Lançamento: agosto de 2015;
  • Gênero: Biografia e História Real;
  • Páginas: 433;
  • Nota Amazon: 5 estrelas de 5;
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Minha opinião sobre Os bebês de Auschwitz

Os bebês de Auschwitz é um livro poderoso, assim como são a maioria dos livros sobre o Holocausto e Segunda Guerra. A narrativa de Holden é intensa e é impossível não se emocionar com os relatos. É também impossível não ficar boquiaberto com a capacidade do ser humano em destruir por preconceito.

Livros como Os bebês de Auschwitz provam que podemos viver um grande ciclo, onde coisas extremamente ruins acontecem, seguidos por períodos de “paz” e melhora. Daí, os mesmos mínimos eventos recomeçam e lançam a humanidade em novos holocaustos. Por isso o indico para quem pensa que a humanidade aprendeu e algo semelhante a Auschwitz – ou pior – é impossível de acontecer.

Os bebês de Auschwitz, antes de Auschwitz

Assim como em Maus: A História de Um Sobrevivente, já resenhado aqui, a história de Os bebês de Auschwitz começa antes da guerra. Isso nos dá, portanto, uma visão ampla do contexto e da série de acontecimentos pequenos que desencadearam no Holocausto.

Por contar a vida de Priska, Rachel e Hanka, foi dado um terço do livro para cada uma delas. Obviamente, as histórias se unem mais à frente, mas nunca deixando de focar em cada mulher.

A história de Os bebês de Auschwitz se inicia com Priska, filha de Emanuel e Paula Rona, criada em Bratislava, Eslováquia. Seus pais eram donos de um café bem movimentado. Sua família era respeitada e tinha vários amigos judeus e gentios – os futuros arianos de Hitler. De todos os seus quatro irmãos, Priska era a que mais gostava de aprender. Entre as línguas que aprendeu a falar estavam o alemão, francês, húngaro e inglês.

Suas habilidades a tornaram professora, até que, com as manobras nazistas sobre a Eslováquia, as restrições aos judeus começaram a aparecer. Consequentemente, o preconceito racial fez com que judeus passassem a ser evitados em todos os lugares. Placas de “proibida entrada de judeus” existiam aos montes. Priska perdeu o emprego, porém continuou dando aulas particulares a filhos de pais corajosos o suficiente para não aceitarem o pensamento anti-semita do novo governo.

Em 1940, os pais de Priska perderam a permissão de continuarem donos do café que sempre fora deles, por mais de dezesseis anos. Embora o preconceito crescesse por todos os lados, a família de Priska conseguiu se manter junta por mais tempo que outras famílias judias.

Em 1941, Priska se casou com um jovem jornalista chamado Tibor. Por ser apreciado por seu chefe, ele conseguiu alguns privilégios que outros judeus não tinham, como poder se afastar de casa, sair após o toque de recolher e não precisar usar a Estrela de Davi costurada à roupa. Eles conseguiram ter uma vida de recém-casados relativamente calma enquanto a guerra destruía a Europa e os fornos de Auschwitz queimavam seus amigos.

O nazismo avança e Auschwitz fica mais próximo

Em setembro de 1941 entrou em vigo o Código Judaico, ou Židovský kódex. Decretado pelo governo fantoche da República Eslovaca, ele determinava leis anti-semitas basicamente copiadas de leis alemãs. Dali em diante, os judeus eram obrigados a usar a estrela amarela de seis pontas costuradas à roupa, a partir dos seis anos de idade. Essas leis também arrancavam deles qualquer propriedade e os excluíam do mínimo senso de direitos humanos.

Antes de prosseguirmos, preciso dizer que Os bebês de Auschwitz foi o primeiro livro a me dizer nomes desses conjuntos de leis anti-semitas. Outro exemplo é a Lei de Proteção do Sangue e Honra Alemães, que proibiram qualquer ariano de ter relações sexuais com judeus.

Priska viu a perseguição avançar. Lojas e casas judias foram depredadas uma após outra. Vizinhos gentios denunciavam vizinhos judeus apenas para se apropriar de seus bens. Em pouco tempo, os judeus que moravam no centro de Bratislava foram realocados nas periferias – os guetos.

Boatos sobre Auschwitz e outros campos de concentração corriam pela Eslováquia, mas eram monstruosos demais para serem creditados. Ninguém aceitava a ideia de fornos, trabalho forçado até a morte ou câmaras de gás. Os bebês de Auschwitz, crianças e mulheres grávidas eram brutalmente feridos, abusados e assassinados.

O terror nazista atinge Priska

Em março de 1942, a irmã mais velha de Priska foi levada pelos nazistas. Em julho do mesmo ano, os pais dela são levados, como também a mãe de Tibor. Nunca mais os viram, ou, ao menos, tiveram a chance de se despedirem.

Ela e o marido decidiram ficar em Bratislava, onde haviam conseguido se manter escondidos por todo aquele tempo. O ano era 1944 e as notícias da guerra faziam um raio de esperança atravessar a face de Priska e Tibor. Paris havia sido libertada e os Aliados haviam bombardeado a Holanda. Além disso, o Exército Vermelho havia conseguido importantes vitórias sobre os nazistas.

Numa terça-feira, 26 de setembro de 1944, eles comemoraram o aniversário de Tibor. Dois depois, três membros da SS invadiram seu apartamento, os prenderam e os encaminharam direto para o trem da morte. Iniciava-se, efetivamente, a história de Os bebês de Auschwitz.

Os bebês de Auschwitz e o Anjo da Morte

“Está grávida, moça bonita?” Após ouvir a pergunta de Josef Mengele, Priska deu atenção para o grito de seu instinto lhe avisando sobre o perigo extremo que aquele homem representava. Como sua barriga ainda não hava crescido muito e seus seios não expeliam leite – mesmo se apertados – ela respondeu com um sólido “Nein!”.

As mulheres que não conseguiram esconder a gravidez, junto com crianças, foram separadas. Mengele certamente fez coisas inimagináveis com essas pessoas. Priska, por outro lado, deveria enfrentar sua gravidez no inferno de Auschwitz, passando fome e sede extremos.

Esses desafios não foram enfrentados só por Priska, mas também por Rachel e Hanka. As histórias das outras duas mulheres também são contadas inteiramente no livro Os bebês de Auschwitz. Além disso, a escritora relata o reencontro desses “bebês”, décadas após o nazismo e o campo de extermínio.

Quem são os bebês de Auschwitz

Os bebês de Auschwitz são os três filhos sobreviventes ao Holocausto. Eva, Mark e Hana são os filhos de Priska, Rachel e Hanka. O livro narra o emocionante reencontro dessas três pessoas que têm a mesma idade do fim da Segunda Guerra Mundial.

Quem é Wendy Holden

Wendy Holden é um escritora inglesa, autora de mais de trinta livros. Seus trabalhos incluem biografias escritas em ghostwriting – quando um escritor é contratado para escrever um título em anonimato.

Para escrever Os bebês de Auschwitz, ela fez uma intensa pesquisa sobre a vida das três mulheres. Ouviu familiares, leu cartas e, obviamente, documentos históricos para nos dar o contexto correto.

Ela nos mostra, com uma linguagem fácil, a vida debaixo do terror nazista. Também não deixa do nos contar sobre a bondade humana mesmo nas situações mais improváveis e difíceis. Acima de tudo, mostra como o amor de mãe é muito mais poderoso do que uma ideologia política, credos racistas ou o terror psicológico do extermínio iminente.

Sou o autor de Os Renegados, distopia pós-apocalíptica, editor do Central Autoria e host do Autoria Podcast. Também sou parceiro da saga de fantasia épica A Crônica Esférica. Estudante contínuo de empreendedorismo e marketing digital, procuro compartilhar conhecimento através do meu trabalho.
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