13.11/2018 | Murillo Costa
Como escrever seu livro

Como escrever seu livro

É um grande marco conseguir escrever seu livro, ainda mais se for o primeiro. Planejamento, ideias e determinação são essenciais!

Você tem a ideia, tem boas referências e sabe o que quer fazer com elas. E agora, como escrever seu livro e transformar isso em um produto que as pessoas gostarão de ler? Pronto para uma longa jornada?

Você não vai querer percorrer essa jornada sozinho, ou sozinha. Compartilhe esse artigo com seu amigo, ou amiga, que também gosta de escrever. Se vocês dois se ajudarem, será mais fácil alcançarem seus objetivos. Os botões para compartilhar estão no final da página.

Para escrever seu livro você precisa de organização

Para escrever um livro se exige muita organização da parte do escritor. Não só organização física, mas também – e principalmente – organização mental. Um livro nada mais é do que uma sequência lógica de ideias. Se o escritor tem mente desorganizada e não consegue limpá-la para pensar na lógica de sua história, o livro será igualmente bagunçado e pouco atrativo.

Qual a importância da organização física para se escrever seu livro? Pense que você acordou disposto a escrever, cheio de ideias. Entretanto, ao se sentar na frente do computador, o ambiente em volta de você está sujo, há coisas espalhadas por todos os lados. A bagunça física consegue penetrar sua mente e incomodar. Logo, as ideias não fluem porque você está preso à desorganização. Esse incômodo pode aparecer a nível subconsciente e atrapalhar do mesmo modo.

Portanto, organize seu espaço de trabalho. Antes de tudo, tenha um espaço de trabalho. Faz parte da organização. Quanto mais iluminado e limpo for esse espaço, mais fácil será escrever seu livro porque mais fácil as ideias se organização na sua mente.

E quanto à organização mental? Para um livro ser uma sequência lógica de ideias, é necessário ter essas ideias. Elas não são uma luz milagrosa que cai na sua cabeça. Elas vêm de esforço consciente para se tê-las. Uma mente bagunçada não tem boas ideias. O que quero dizer com mente bagunçada? Sabe aquelas contas que estão vencendo? Aquele seu problema com o namorado, ou namorada? As pressões no trabalho que paga suas contas?

Bom, a lista se estende e é melhor parar por aqui. Esses problemas sujam a mente com ansiedade. Eles podem até servir como inspiração e referência para você escrever seu livro, mas não podem perturbar sua mente enquanto você escreve. Devem sumir, ou, pelo menos, ficar em segundo plano enquanto escreve.

Com organização mental, você será capaz de determinar o que será seu livro e a quem ele deverá interessar. Além disso, também conseguirá pensar na história em si, no desenvolvimento dos personagens, na trama geral do livro, em seus pontos de virada e no final. Para começar a escrever seu livro, tenha tudo isso em mente.

Um extra: a organização vai te livrar do bloqueio criativo. Muitos autores têm usado o bloqueio como desculpa para não produzir e não fazem nada para se livrar dele. Acham que a solução é aquela mega inspiração que virá do além. Estão errados e você saberá porque ao ler esse artigo aqui, onde dou boas dicas para combater o bloqueio.

Esboce as ideias principais do seu livro

O modelo mais comum para a escrita de um livro, ou para o roteiro de qualquer história, é o paradigma do três arcos. Isso quer dizer que a história é dividida em três desenvolvimentos gerais.

O primeiro arco é onde os personagens e ambientes de partida são apresentados. Compreende os primeiros capítulos do seu livro. Geralmente, os personagens vivem suas vidas rotineiras. Esse é o melhor momento para fazer seus personagens cativarem seu leitor. Então, capriche na construção dos personagens e saiba mostrar seus melhores – ou piores – lados no primeiro arco.

O primeiro arco deve terminar com um “gatilho” para o segundo arco. Esse gatilho é um ponto de virada, um dos grandes e importantes. Esse ponto de virada é o responsável por arrancar seus personagens, especialmente o protagonista, de suas vidas de todos os dias e obrigá-los a sair para a aventura.

O segundo arco é a jornada “pesada” da trama, onde acontecem os ataques dos inimigos, as batalhas, reviravoltas menores, mas importantes. É o caminho que os protagonistas fazem para resolver o grande problema da trama geral. O segundo arco compreende o meio do livro e geralmente é o maior dos três.

Assim como o primeiro, o segundo arco também termina comum gatilho, um ponto de virada grande e importante. Na maioria das histórias é o momento em que o protagonista sofre um revés imenso, onde tudo parece estar perdido.

Chegou o momento do terceiro ato, o ato final. Com um protagonista perdido, o último ato começa com uma esperança, um golpe final, a última tentativa do herói em resolver a trama geral do livro. Geralmente ele consegue. Mas, preste muita atenção: o terceiro ato deve ser épico e ter um final incrível, impensado pelo leitor.

Essa é a estrutura de um livro de ficção e você pode entendê-la melhor clicando aqui, onde falei mais sobre os três atos.

E se você quer escrever um livro de não-ficção, como um manual ou treinamento? A estrutura dos atos podem ser convertidas para (1) sua apresentação e qual autoridade você tem em falar sobre o problema, (2) sua proposta para resolução do problema, o conteúdo prático em si e (3) uma conclusão com uma breve recapitulação.

Determine uma rotina para escrita seu livro

Ter uma rotina para escrever seu livro é decisivo para o sucesso do seu projeto. Faz parte da organização mental e física e também combate o bloqueio criativo.

Alguns escritores pensam que o melhor horário para escrever é em todo momento de folga que tiverem. O problema é que esses são  momentos de folga. Se você tem um trabalho paralelo à escrita, precisa usar parte dessas folgas para descansar. Mente ocupada o tempo todo também fica bagunçada.

O melhor é definir um horário para escrever. Uma hora por dia? Meia hora por dia? Duas horas em dois dias da semana? Duas horas no fim de semana? Você sabe da sua agenda, então ninguém melhor que você para definir isso. Lembre-se apenas de que é preciso ter equilíbrio entre trabalho e descanso.

mais dicas sobre manter uma rotina saudável de escrita e trabalho paralelo nesse artigo. Recomendo muito!

Escreva o livro, poxa!

Organizou, estruturou, agendou seus momentos de escrever? Ótimo! Agora, senta e escreve.

Não tenha medo do resultado das primeiras palavras, ou da primeira versão do livro. Não se preocupe, ainda, se as pessoas vão gostar de ler ou não – ou até se elas vão comprar ou não. Se preocupe em tirar tudo da sua mente e colocar em texto. Só escreva!

Depois que terminar o último capítulo, chega longo momento da revisão. Preparado para várias leituras do seu trabalho? Espero que sim. É nessa revisão de todo o texto que você vai encontrar os furos do seu roteiro, erros gramaticais, palavras que você pensou que havia digitado mas não digitou – eu que o diga.

Para você ter uma pequena ideia, reli tantas vezes Os Renegados que até enjoei da história por alguns meses. Não dava mais conta de ler o nome “Pedro” em lugar nenhum. Mas ela é boa, isso já passou e eu amo de novo. E, por acaso do universo, preciso ler de novo para revisar o segundo livro da série, que já vou ter de ler mais algumas dezenas de vezes. Entende…?

É na revisão que você deve prestar atenção à qualidade do texto e se o leitor vai se interessar e se emocionar com a história. É na revisão que as ideias amadurecem e você percebe os clichês e os elimina.

Não despreze a revisão enquanto estiver escrevendo seu livro. Nunca!

Escreveu seu livro. E agora?

O que fazer com seu livro depois de escrevê-lo? Existem dois caminhos rentáveis: a publicação por editoras ou a publicação independente. Vamos supor que você seja um autor iniciante, assim como eu. O que eu indico?

Se você tiver muito dinheiro, mas muito mesmo, vá para alguma editora e invista. Se você e seus editores acreditam muito no potencial do seu livro, invista muito! Seja feliz com os prováveis bons resultados.

Agora, se você faz parte do maior número de seguidores aqui do Central Autoria, parta para a publicação independente. Sendo autor independente, você ganhará mais royalts e não gastará muito. Precisará investir muito tempo para construir sua imagem de autor e conquistar leitores. Mas é um investimento que, se feito do modo correto, trará um retorno para o resto da vida. Aliás, clica no link anterior pra saber mais sobre isso.

Você pode publicar de modo independente através da Amazon, do Clube de Autores, Whatpadd e outros. Na Amazon e Clube de Autores, você ganha dinheiro quando alguém compra seu livro. No Whatpaad, você ganha leitores e reconhecimento. Fiquei abismado quando vi livros lá com mais de 1 milhão de leituras.

Mas, e viver do livro que você escreveu, é possível?

Vou dar o golpe sincero e doloroso de uma só vez: não. O mercado literário brasileiro é pequeno e cultuado nas grandes editoras e livros internacionais. Esse cenário está mudando, mas ainda não é ideal para o escritor iniciante brasileiro. Mas, não tenha medo, continue escrevendo seus livros.

Preste atenção: não é possível viver de royalts, mas é possível viver de literatura. Ter apenas um livro não lhe renderá muito. Por isso, se você é escritor, ou escritora, faça disso seu segundo trabalho e produza livros de qualidade. Se optar pelo caminho da autopublicação, vai conseguir ganhar mais dinheiro com royalts.

Não subestime o poder dos e-books na Amazon e nem o interesse dos leitores neles. O mundo digital chegou para revolucionar tudo, incluindo o modo como lemos. Precisamos ensinar nossos leitores que sentir o papel é bom, mas ler a história e se emocionar com ela é melhor ainda, seja em qual dispositivo for.

Esses assuntos são longos e ainda renderão muita conversa aqui no Central Autoria. Por isso, deixe seu comentário, quero muito saber o que você pensa sobe o que foi dito.

Sou o autor de Os Renegados, distopia pós-apocalíptica, editor do Central Autoria e host do Autoria Podcast. Também sou parceiro da saga de fantasia épica A Crônica Esférica. Estudante contínuo de empreendedorismo e marketing digital, procuro compartilhar conhecimento através do meu trabalho.
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